Governadores do PSB assinam carta a Biden sobre enfrentamento da crise climática

14/04/2021 (Atualizado em 29/04/2021 | 12:26)

Foto: Divulgação/PSB Nacional
Foto: Divulgação/PSB Nacional

Os governadores do Espírito Santo e de Pernambuco, Renato Casagrande e Paulo Câmara, respectivamente, assinaram com outros 20 governadores, uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em que demonstram comprometimento com o enfrentamento da crise climática.

O texto preliminar diz que uma parceria entre o Brasil, país com a maior base florestal da Terra, e os Estados Unidos, com a maior capacidade de investimento do mundo, pode impulsionar um modelo de economia sustentável para enfrentar o aquecimento global e reduzir a pobreza.

O movimento do grupo busca se qualificar para os investimentos de US$ 20 bilhões, em recursos públicos e privados, dos EUA e de outros países, que o presidente Biden prometeu mobilizar durante a campanha para os países da bacia amazônica.

O protagonismo dos governadores acontece em um momento em que o governo Jair Bolsonaro tenta negociar com o governo Biden um acordo para proteger a Amazônia. Com a iniciativa, os Estados também se posicionam.

Um dos articuladores da carta e cofundador do movimento Governadores pelo Clima, Casagrande explica que o objetivo não é rivalizar com o governo federal, mas somar esforços. Ele lembra que os líderes estaduais têm responsabilidades no cumprimento do Acordo de Paris. Engenheiro florestal, Casagrande é dedicado ao tema e reconhecido perfil diplomático.

Ele afirma que o uso de mecanismos já disponíveis nos Estados para aplicação segura dos recursos internacionais nos fundos estaduais, integração com iniciativas não governamentais e novos arranjos institucionais, em relação direta com os doadores e investidores, “diminui a burocracia”.

“Não queremos tirar o protagonismo do governo. Queremos que ele mude de posição e se interesse mais pelo tema”, afirma. “Queremos puxar o protagonismo desse assunto para o Brasil. Nossa imagem está muito arranhada internacionalmente porque não houve preocupação com o tema”, declara Casagrande.

O texto foi elaborado por especialistas do Centro Brasil no Clima (CBC) com a participação de outras entidades da sociedade civil e cientistas que colaboram com a aliança Governadores pelo Clima. “Juntos podemos construir com agilidade a maior economia de descarbonização do planeta”, diz a carta.

Para cumprir o Acordo de Paris, e limitar o aumento da temperatura a 1,5°C até o fim do século, o mundo terá que reflorestar uma área do tamanho dos Estados Unidos, diz a carta, que está sendo finalizada. O Brasil pode participar deste esforço não apenas contendo o desmatamento na Amazônia e reflorestando, mas recuperando “biomas de grande captura de carbono, inestimável biodiversidade e relevância econômica” como o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pampa e o Pantanal.

Só o Pantanal, por exemplo, perdeu mais de 4 milhões de hectares com os dramáticos incêndios de 2020.

O texto diz que os governadores buscam parcerias para “impulsionar o equilíbrio climático, a redução de desigualdades, a regeneração ambiental, o desenvolvimento de cadeias econômicas verdes e o estímulo à adoção de tecnologias para reduzir as emissões de atividades econômicas tradicionais nas Américas”.

Os governadores dizem ainda buscar no esforço conjunto “a construção de um modelo civilizatório mais saudável e resiliente a pandemias”.

Fonte: PSB Nacional - Com informações do Valor Econômico

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