Covid-19: governo Bolsonaro se empenhou em disseminar o vírus

08/06/2021 (Atualizado em 08/06/2021 | 16:07)

O vírus da Covid-19 foi disseminado como estratégia pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido). É o que mostra estudo produzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que revela o empenho do Executivo Federal em espalhar o coronavírus.

A pesquisa foi inicialmente publicada em janeiro de 2021, porém foi atualizada nessa semana a pedido da CPI da Pandemia do Senado que investiga as ações e omissões do poder público.

O estudo intitulado “A linha do tempo da estratégia federal de disseminação da covid-19” foi conduzido pelo Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário (Cepedisa) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. A pesquisa é uma das peças fundamentais para colaborar com a tese de que Bolsonaro é culpado pelo estado de calamidade atual do Brasil e pelo colapso do sistema de saúde.

Linha do tempo da disseminação da Covid-19

O documento apresenta uma linha do tempo com mapeamento e análise das normas jurídicas de resposta à Covid-19 no Brasil. As fontes utilizadas no levantamento foram normas federais, discursos oficiais, manifestações públicas de autoridades federais, jurisprudência e pesquisas nos meios digitais.

A linha do tempo começa no dia 3 de fevereiro de 2020 com a portaria 188 do Ministério da Saúde, que declara Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional em decorrência do coronavírus.

A pesquisa terminou no dia 28 de maio de 2021, no qual a portaria 653 da Casa Civil foi revogada pela Portaria 654, que mantém as restrições mais rígidas aos voos provenientes do Reino Unido, da África do Sul e da Índia. Entre as informações de datas e das medidas sancionadas, o estudo mostra como foi a semana epidemiológica, com casos e óbitos de Covid-19 no âmbito nacional.

Tratamento precoce contra a Covid-19

Há inúmeros estudos que comprovam que ainda não há medicamento eficaz para a Covid-19. Mesmo assim, o presidente da República tentou emplacar vários tipos de remédios diferentes. Bolsonaro é o maior divulgador digital de cloroquina no mundo, quatro a cada dez publicações sobre o fármaco que não serve para combater a pandemia.

Leia mais: Escalada da morte do governo Bolsonaro passa de 474 mil

O tratamento precoce é ineficaz. Derrubou dois médicos que ocupavam o cargo de Ministro da Saúde e colocou um general do Exército, que ainda está na ativa. A cloroquina foi e é um recurso do governo federal para tentar solucionar rapidamente um problema que apenas distanciamento social, uso de máscara e uma vacinação ampla da população pode resolver.

Imunidade de rebanho

O estudo conclui que a partir de abril de 2020, o Executivo Federal começou a promover a “imunidade de rebanho” por contágio como resposta à pandemia. Com isso permitiu e impulsionou a circulação livre do coronavírus para que após a infecção, a população fosse imunizada com os próprios anticorpos.

Bolsonaro ignorou os cientistas que mostravam uma estimativa que caso tivéssemos 70% da população infectada, o Brasil teria 1,8 milhão de mortes. Para ele, a redução da atividade econômica seria um maior prejuízo que as vidas perdidas.

Bolsonaro não apenas falou, mas agiu por meio de atos normativos e de governo. Ignorou a ciência, se empenhou para a disseminação do coronavírus no Brasil e promoveu diversas fake news, que resulta em mais de 474 mil mortes.


Fonte: por: Lucas Godois / Socialismo Criativo

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