Ministro da Educação defende volta às aulas presenciais em meio à pandemia

21/07/2021 (Atualizado em 21/07/2021 | 10:19)

Foto: Reprodução
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O ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi em rede nacional, na noite desta terça-feira (20), pressionar estados e municípios sobre o retorno às aulas presenciais em todo o país. Por lei, os entes federados têm autonomia para decidir sobre a questão. O pronunciamento é feito em meio à pandemia que já matou mais de 544 mil pessoas e a lenta vacinação no país, que fez a imunização completa de pouco mais de 16% da população.

“Quero neste momento conclamá-los ao retorno às aulas presenciais. O Brasil não pode continuar com as escolas fechadas gerando impacto negativo nestas e nas futuras gerações”, disse.

Ribeiro reconheceu que o governo federal não tem autonomia sobre o tema. E, se tivesse, disse que já teria determinado o retorno.

“O ministro da Educação não pode determinar o retorno presencial das aulas. Caso contrário, eu já teria determinado”, afirmou.

“A vacinação de toda a comunidade escolar não pode ser condição para a reabertura das escolas”

Milton Ribeiro


A volta, segundo ele, é uma “necessidade urgente”. O ministro falou que o fechamento de escolas impõe “consequências devastadoras” apesar de especialistas alertarem constantemente sobre a necessidade de vacinação completa de 70% da população para conter a pandemia.

MEC foi omisso durante a pandemia

O Ministério da Educação (MEC) foi ausente no apoio a estados e municípios durante a pandemia para manter aulas remotas ou para o retorno às atividades presenciais.

O ministro já disse em entrevistas que não cabe ao MEC apoiar estados e municípios e que o sistema educacional já vivia dificuldades e desigualdades antes da pandemia, eximindo o governo Bolsonaro de responsabilidade pela situação atual.

Porém, o MEC tem obrigação constitucional de apoiar estados e municípios, que concentram as matrículas da educação básica no país. A legislação define que cabe prefeituras e estados a definição do calendário das escolas sob sua responsabilidade.

Ministro compara Brasil com Europa

Em 1º de julho, Ribeiro já havia defendido o retorno às aulas presenciais em uma audiência pública no Senado. Ele fez comparações com países da Europa para sustentar a defesa do retorno às presencial, embora a realidade de lá seja bem diferente da daqui.

“O Brasil é, infelizmente, um dos últimos países do mundo a reabrir as escolas. E não há que se dizer que o assunto foi a vacinação. Acabo de chegar da Itália e lá os países estão todos retornando, alguns com porcentagem de vacinação inferior ao Brasil”, afirmou Ribeiro, citando a reunião dos ministros da Educação do grupo de países conhecido como G20.

“Já há protocolos de biossegurança estabelecidos que reduzem riscos de contágio no ambiente escolar. Todos estes protocolos se baseiam fundamentalmente em distanciamento, uso de máscaras e de álcool em gel. Isso está mais do que sabido”, afirmou.

Falhas de protocolos

Entretanto, estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) aponta que ainda há falhas em protocolos de reabertura das escolas justamente porque não consideram pontos que a ciência já comprovou também serem importantes para frear a contaminação, como ventilação dos espaços e escalonamento no transporte público para evitar aglomeração.

No último dia 30 de junho, véspera da audiência do ministro no Senado, o Ministério da Educação (MEC) divulgou em uma rede social o Guia de Retorno às Aulas Presenciais, um documento elaborado pela pasta ainda em 2020.

Uma análise do documento feita pelo físico Vitor Mori, do Observatório Covid-19, a pedido do G1, indicou que ainda há muito foco em limpeza de superfícies e pouca informação sobre a importância de fazer atividades em ambientes ventilados ou cuidar para que haja ventilação dos espaços“.

Fonte: Socialismo Criativo - Com informações do G1 e Folha de S. Paulo

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