Vai para Portugal, ora pois!

22/11/2021 (Atualizado em 23/11/2021 | 12:06)

País europeu vive um período de desenvolvimento e promoção de justiça social com a administração de socialistas democráticos

Fotos: reprodução internet
Fotos: reprodução internet

Nos últimos tempos, ser filiado ou simpatizante de um partido de esquerda no Brasil, ou simplesmente levantar qualquer pauta relacionada a justiça social, implica em já ter ouvido centenas, talvez milhares de vezes, um jargão criado pela extrema direita brasileira, hoje domiciliada no Palácio do Planalto:

-“Vai para Cuba, vai para Venezuela!”

Sim, o objetivo é, literalmente, desacreditar toda e qualquer luta por uma sociedade mais justa, igualitária, seja ela econômica, racial, sexual ou de gênero. 

E também, sim, Cuba não é um exemplo de um socialismo democrático desde que adotou o comunismo soviético, logo após os barbudos de Fidel Castro derrubarem Fulgêncio Batista, um sanguinário ditador apoiado por Washington.

Mas também não havia muitas opções da revolução cubana sobreviver as constantes e cada vez mais fortes investidas armadas norte-americanas a ilha caribenha sem o apoio do Kremlin. Tanto que um dos ministros mais expoentes de Fidel, Che Guevara, que era contra a adoção do modelo autoritário russo, percebeu rapidamente a situação, pediu demissão e foi fazer a guerrilha libertária nas florestas do Gongo e, depois, no altiplano andino da Bolívia. 

Morreu tentando. E até hoje, 60 anos depois, Cuba vive sob um trágico bloqueio comercial do grande irmão do Norte, sofrendo com a falta de produtos e serviços e, sem dúvida alguma, nenhuma possibilidade de desenvolvimento econômico.

Já a Venezuela, que mesmo se autoproclamando “socialista” (assim mesmo, entre aspas, já que sem liberdade não há o verdadeiro socialismo), é o país mais semelhante com o governado e pretendido por Jair Bolsonaro desde que começou sua triste trajetória na cadeira presidencial, em Brasília: autoritarismo exagerado do presidente, sustentação política dada pelo grande número de militares no Poder, benesses de todo tipo aos legisladores que apoiam o regime, milícias armadas fazendo o trabalho sujo contra opositores do regime, desqualificação da oposição pela prisão e contínuos fake news, além de inflação galopante, falta de trabalho, miséria absoluta e fome, muita fome!

Neste sentido, da próxima vez que levantares a bandeira da justiça social e um direitista radical vier a bradar seu jargão, educadamente lhe pergunte se conheces Portugal.

Sim, esse mesmo Portugal dos grandes navegadores, de Cabral, Camões e Fernando Pessoa. Um Portugal que é um dos destinos turísticos mais procurados do mundo, com suas cidades e zonas costeiras repletas de turistas, atraídos pela história e cultura de um país milenar, pelo bom tempo, segurança, pela excelente gastronomia e pelos preços mais acessíveis do que os de outros destinos europeus.

E também, principalmente, por um Portugal que se tornou exemplo de desenvolvimento econômico ao superar com sucesso a crise econômica mundial de 2008, assim com a crise econômica causada pela pandemia de coronavírus de 2020.

“Portugal é um país que conseguiu, nos últimos anos, combinar coesão social com crescimento econômico, com um modelo de crescimento para as pequenas economias europeias, que tiveram dificuldade em equilibrar suas tradições culturais e valores políticos com as demandas de economias maiores, como Alemanha, França e Itália, com as quais compartilham (a moeda) euro", ressaltou, Michel Moran, um prestigiado autor norte-americano em recente artigo da revista Foreign Policy.

Mas nem sempre foi assim. Em 2008, Portugal mergulhou numa grave crise econômica que o deixou à beira da falência.  O governo português, então de centro-direita, praticamente implorou por um pacote de resgate no valor de 78 bilhões de euros à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O desembolso foi autorizado, sob a condição de que o país implantasse fortes e amargas medidas de austeridade.

Foram os anos da "troika", como são popularmente conhecidas as imposições da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do FMI.

E assim foi feito: corte significativo das despesas públicas, salários de funcionários públicos e aposentados defasados, impostos em alta, desemprego e impostos crescentes. O consumo e a moral dos portugueses despencaram em uma ciranda trágica, típica dos fados, um gênero musical português que canta amores perdidos e desilusões amorosas.



Os socialistas Antonio Costa e Mario Centeno: mentores do renascimento pós troika


O ponto de ruptura com a crise, a troika e a desilusão nacional foram as eleições de 2015, quando foi formado um novo governo de centro-esquerda liderado pelo socialista António Costa, até hoje no cargo. Costa, e seu aclamado ministro da Fazenda, Mário Centeno, começaram a reverter as medidas de austeridade imposta pelo FMI e o Banco Central Europeu, mas sem descuidar, “um minuto” da responsabilidade fiscal.

O governo socialista português começou a gastar um pouco mais, como no aumento de salários, e isso teve um efeito multiplicador na economia e na arrecadação.  E a recuperação foi mais ainda perceptível em 2017, quando o PIB português cresceu 2,7%, a taxa mais elevada do país desde o início do novo milênio enquanto a taxa de desemprego caiu para níveis pré-crise.

Centeno, o ministro socialista, foi apontado como o "Ronaldo das finanças", em alusão ao atacante português Cristiano Ronaldo, pelo surpreendente desempenho da economia que, desde então, ficou conhecida como o "milagre da economia portuguesa".

Mas nem tudo é tempo bom na economia portuguesa. Como todo o mundo, ela  foi duramente atingida pela pandemia do coronavírus e o PIB despencou 8,4% em 2020, a pior recessão desde 1936, e os visitantes estrangeiros caíram 76%.

No entanto, segundo especialistas, as medidas promovidas durante os anos anteriores à pandemia permitiram a Portugal resistir melhor à crise, e o país é um dos que apresentam melhor desempenho na recuperação.

No segundo trimestre de 2021, o país liderou a retomada da zona euro e registrou a maior taxa de crescimento (4,9%) entre os Estados-membros da União Europeia, mais do que Alemanha (1,5%), Espanha (2,8%) ou Itália (2,7).

Agora, novamente aberto ao turismo e com um cenário praticamente normal, o Banco Central de Portugal espera que o país encerre o ano com um crescimento de 4,8%, enquanto a taxa de desemprego se situa em 6,7%, muito abaixo das nações vizinhas e também dependentes de turismo como Espanha (15%) e Itália (10%).



Portugal é um dos destinos turístico mais procurados do mundo na atualidade


Afinal, Portugal é realmente um exemplo para outras economias?

Claro que nem tudo é perfeito para Portugal, e a economia portuguesa ainda tem grandes desafios. Os salários ainda são muito pequenos em relação aos líderes europeus, como Alemanha, França, Inglaterra e Itália, e o preço das moradias simplesmente entrou na estratosfera, mas, pouco a pouco, com inteligência administrativa, como fazer frente as exportações chinesas com produtos de qualidade e incentivo a compra de moradias nos rincões mais escondidos do país, como nos Açores e Ilha da Madeira, além de recursos significativos para incentivo a economia criativa.

E, sim, Portugal com um governo socialista, apresentando um mix hábil de medidas políticas e fiscais e promovendo a justiça social, faz sua gente levar uma vida boa e ainda fazer a economia crescer. E muito!

Tanto que os maiores milionários estão investindo em Portugal, aposentados brasileiros se transferem "de mala e cuia" cada vez mais para a terra de Camões e o país é o destino preferido dos endinheirados nos últimos anos. Muitos desses, os mesmos que gritam aos quatro ventos para qualquer esquerdista ir para Cuba ou Venezuela!



Lisboa mantém seu patrimônio histórico cultural, mas também cresce "a olhos vistos". 


*Com fontes e dados da BBC Internacional (ING), El País (Espanha), Foreign Policy Magazine (EUA)

 

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do PSB-RS