Em seminário, Carlos Siqueira defende história do PSB e diz que princípios devem ser respeitados 

26/04/2017 (Atualizado em 26/04/2017 | 20:29)

Siqueira é o presidente nacional do PSB
Siqueira é o presidente nacional do PSB

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, declarou, na abertura do Seminário Nacional de Prefeitos e Vice-prefeitos do PSB 2017-2020, nesta segunda-feira (24), em Brasília, que o Brasil vive a maior crise econômica, política e social de sua história, mas ponderou que, apesar disso, o país está entre as dez maiores e mais importantes economias do mundo e que existe a possibilidade de um futuro melhor. “Todos nós estamos convocados a superar essa crise. Cada brasileiro, cada prefeito e vice, vereador, deputado, senador, cada figura humana que habita esse país tem o dever de dar sua colaboração. Nós não podemos desacreditar, nem perder a esperança no nosso país, o nosso potencial é extraordinário”, defendeu.

Para Siqueira, “nós vivemos uma onda perigosíssima que é o recrudescimento do conservadorismo”. Para exemplificar, o presidente citou a França, onde dois candidatos – um de direita e outro de extrema direita – estão na disputa das eleições presidenciais no segundo turno. Pela primeira vez desde 1958, não há um candidato do partido socialista francês no pleito, o que, para o presidente do PSB, se explica pela renúncia aos seus ideais. Citou como exemplo a reforma trabalhista feita “por decreto” pelo atual presidente do país, François Hollande.

Em seu discurso, Siqueira defendeu que o PSB não pode renunciar aos seus princípios e, por isso, se posicione contra a reforma trabalhista. Ele lembrou de uma resolução aprovada, de forma unânime, no Congresso do partido em 2014, contrária a mudanças nas leis do trabalho. “Não poderemos permitir um absurdo em que se enfraqueça o mais fraco. A reforma poderá ser feita, só não terá a digital do PSB, sob pena de renunciar aos seus verdadeiros ideais. Se nós precisamos fazer uma reforma trabalhista, que façamos para reforçar e equilibrar a relação entre capital e trabalho, não para tornar aqueles que já são fracos mais fracos ainda. Isso é um absurdo inaceitável e só farão, e se fizerem, por cima de nós e não conosco”, pontuou.

O presidente destacou que “aos socialistas não cabe ter medo” ao lembrar o que falava o ex-governador e ex-presidente do PSB, Eduardo Campos. Siqueira avaliou também que o partido completa 70 anos em agosto e possui uma história a honrar. “Nós somos continuadores de João Mangabeira, de Antônio Houaiss, de Jamil Haddad, de Miguel Arraes, de Eduardo Campos. Nós temos que honrar essas figuras. Homens como esses que citei não morrem. Quem morre são aqueles que não tem ideais, que se submetem ao poder pelo poder”. Para o presidente, o poder deve ser usado para fazer mudanças que melhorem a vida das pessoas. “Quem estiver no poder pelo poder não está no partido certo”, enfatizou.

O socialista convocou ainda a militância do partido a participar dos protestos convocados para a sexta-feira (28) contra as reformas previdenciária e trabalhista. “Nós traremos a militância para protestar contra essa ignomínia que querem fazer com o trabalhador brasileiro. Nós temos responsabilidade, apoiamos as mudanças, mas não podemos apoiar qualquer mudança. Nós podemos apoiar as mudanças que tem a ver com os interesses do país e da sua população, não com os interesses dos grandes empresários, dos grandes banqueiros, do sistema financeiro internacional”, afirmou.

Siqueira ressaltou que os partidos precisam se modernizar e exemplificou as ações do PSB nesse sentido por meio da Plataforma de Democratização da Gestão Partidária. “Estamos ampliando todas as nossas comunicações, inclusive fazendo pesquisas e enquetes, um recadastramento de filiados para possibilitar que o partido se modernize, porque o partido que não se modernizar, que não se tornar contemporâneo, que não sair do analógico para o digital, não persistirá”.

Siqueira ainda ressaltou que o único caminho do PSB é continuar sua história na esquerda. “O caminho tem que ser reafirmá-la, tem que ser torná-la contemporânea. É querer mudar e querer que mais pessoas participem da administração, da vida do partido, opinem, decidam. Mas nós só seremos o partido que pensou esses grandes líderes históricos se soubermos torná-lo contemporâneo agora nesses 70 anos”, finalizou.

O secretário-geral do PSB e presidente da FJM, Renato Casagrande, apontou quais são as características de um gestor socialista. Segundo Casagrande, o prefeito e o vice-prefeito precisam ser fraternos, ter espírito humanitário e preocupação com aqueles que mais precisam. “Um gestor socialista tem que ter conduta ética e transparente, ter muita responsabilidade fiscal e social. Quando você desorganiza uma máquina pública você prejudica especialmente as pessoas que mais precisam dela. Ser um gestor socialista é assumir uma gestão que tem indicadores sociais definidos no primeiro dia de mandato e entregá-los, quatro anos depois, com os melhores índices”, afirmou.

Casagrande destacou ainda que o gestor socialista deve ter o diálogo como norte e deve extrapolar os limites de seu município. “Os prefeitos têm que ter a mente voltada para suas questões locais, mas também para a agenda nacional. O socialismo tem que estar nos nossos objetivos e que a cada dia possamos chegar um pouco mais perto da igualdade de oportunidades”, disse.

O encontro reuniu cerca de 300 participantes entre prefeitos, vice-prefeitos, gestores e lideranças de todo o País. Com o tema “O futuro da cidade em nossas mãos”, promovido pelo PSB e pela Fundação João Mangabeira (FJM), o evento teve como objetivo qualificar os gestores socialistas para os desafios da gestão pública em seus municípios.

Estiveram presentes no seminário o presidente da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) e ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e os prefeitos Geraldo Júlio (Recife), Carlos Amastha (Palmas) e Jonas Donizette (Campinas) que falaram das suas experiências em gestões com responsabilidades fiscal e social. Participaram também o vice-presidente de Relações Governamentais do PSB, Beto Albuquerque, as senadoras Lúcia Vânia (GO) e Lídice da Mata (BA), os deputados Bebeto Galvão (BA), Creuza Pereira (PE) e César Messias (AC). Ainda estiveram presente os secretários nacionais dos segmentos sociais do PSB: Valneide Nascimento (Negritude), Dora Pires (Mulheres), Tony Sechi (Juventude), Maria de Jesus (Movimento Popular) e Joilson Cardoso (Sindical).

 

Assessoria de Comunicação/PSB Nacional

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Fonte: PSB nacional

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