No pior momento da pandemia, é preciso “deixar de lado discussões que só nos dividem”, afirma Beto Albuquerque

10/03/2021 (Atualizado em 10/03/2021 | 12:27)

divulgação Assessoria de Comunicação/PSB Nacional
divulgação Assessoria de Comunicação/PSB Nacional

O vice-presidente de Relações Governamentais do PSB, Beto Albuquerque, defende a vacinação de toda a população e um plano de recuperação econômica para o Brasil. Para o socialista, já deveria ser consenso de que a covid-19 é “uma doença maldita, mortal, fatal e violenta” e que é preciso se cuidar, usar máscara, lavar as mãos, manter o distanciamento. Mas Beto destaca que o mais importante é “deixar de lado as discussões que só nos dividem, acreditar na ciência e lançar o maior, melhor e adequado plano econômico para o Brasil neste momento”.

“Comprar vacinas e vacinar todas as pessoas, todos os brasileiros. Como faz Israel, como fazem os Estados Unidos e tantos países desenvolvidos mundo afora. Vacinar todos é a única solução para acabar com a doença, para retomar a economia, para reabrir a porta do comércio, da indústria, do bar, do restaurante, do hotel, para voltarem às atividades turísticas. Não há outro plano econômico”, afirma.

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro nega a importância da vacinação, Beto reforça que ela é a forma mais eficaz de combater a doença e cobra que o governo federal se responsabilize por essa tarefa. Durante um evento que participou na última quinta-feira (4), em São Simão, sudoeste de Goias, um dia após o Estado ter registrado recorde de mortes pela doença, Bolsonaro – sem máscara – usou os termos “mimimi” e “frescura” ao criticar, mais uma vez, as medidas adotadas diante da pandemia.

“Vocês não ficaram em casa. Não se acovardaram. Temos que enfrentar os nossos problemas. Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”, disse Bolsonaro, na ocasião.

“Bate-boca, negar a ciência, negar a gravidade da doença, não enxergar que os hospitais estouraram sua capacidade de receber pessoas, isso não nos leva a lugar nenhum! A hora é de comprar vacinas e de vacinar todos! O inimigo nosso, o Covid, pode ser resolvido se o Ministério da Saúde, o governo federal, assumir essa responsabilidade, comprar vacinas e vacinar todos os brasileiros!”, defendeu Albuquerque.

Com recorde de média móvel diária por covid-19, chegando em 1.572 nos últimos sete dias, o Brasil registrou 1.954 novos óbitos somente nas últimas 24 horas. A média leva em consideração os números dos últimos sete dias e atingiu o maior patamar de toda a pandemia pelo nono dia consecutivo.

No total, o país já ultrapassou 268,5 mil mortos pelo novo coronavírus. Além disso, já passam de 11 milhões os contaminados pela doença. Nas últimas 24 horas, houve 68.537 diagnósticos positivos. Vinte e um Estados e o Distrito Federal estão com alta nas mortes e sofrendo colapso na área de saúde, com UTIs lotadas, falta de equipamentos e de oxigênio.

No último domingo, o Brasil se tornou o país com a maior alta no número de mortes por covid-19 entre as dez nações com mais óbitos pela doença, segundo análise de dados do site Our World in Data, projeto da Universidade de Oxford. Dos dez países líderes em mortes no mundo, oito registraram queda na média móvel de novas mortes na última sexta-feira em comparação com o dado de 14 dias atrás. No mesmo período, essa média subiu 30,5% no Brasil.

Colapso iminente

Cientistas já apontam para o colapso iminente dos sistemas de saúde nas cinco regiões do Brasil. Segundo o neurocientista Miguel Nicolelis, ex-coordenador do Comitê Científico do Consórcio do Nordeste, o país não está “nem próximo” do pico da segunda onda da pandemia.

Sem vacinação em proporções suficientes para conter a disseminação do vírus, Nicolelis destaca que sem a adoção de medidas restritivas de circulação, por pelo menos 21 dias, o país pode chegar ao patamar de até 3 mil mortos diários. Com a ocupação das UTIs ultrapassando 90% em diversos Estados, a situação tende a se agravar ainda mais.

“A situação para março parece ser ainda mais tétrica. Poderemos ter o pior março da história do Brasil de todos os tempos, no que tange a perda de vidas humanas”, afirmou Nicolelis, em entrevista a um programa de TV, neste domingo (7).

“Quando ultrapassa os 85% de ocupação dos leitos de UTI, chegando a 90%, o colapso já ocorreu. É uma questão de horas, ou talvez de um par de dias, para chegar a 100%. As filas de espera já começam a ficar enormes. Como em São Paulo, Natal, Salvador, Rio de Janeiro, Manaus, Fortaleza, Porto Alegre, Florianópolis”, disse.

Ele defende o fechamento de todas as atividades não essenciais, além do controle de circulação de pessoas em aeroportos e rodovias. Outra medida recomendada é a testagem em massa como forma de rastrear o comportamento do vírus, prevendo o avanço da doença. Mas, para tanto, é preciso que o governo federal ou os governos estaduais garantam auxílio financeiro às famílias e setores mais prejudicados.

Por outro lado, Nicolelis atribui parte do fracasso do combate à pandemia no Brasil à falta de comprometimento do governo federal.

“Qualquer nação no mundo atualmente que tivesse um presidente que fala o que esse (Bolsonaro) fala, já teria tomado uma providência institucional. Além da pandemia, nós temos um pandemônio político, causado pelo exemplo do mandatário-mor do país, que não consolas as vítimas, não oferece um plano nacional, nem nenhuma perspectiva de sairmos dessa crise. Pelo contrário. Desdenha e desmerece aqueles que estão tentando trabalhar para o Brasil sair dessa o mais rapidamente possível”, declarou.

 


 


Fonte: Assessoria de Comunicação/PSB Nacional

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